De como um site desapareceu. Deixou rasto.
Encontrei-o hoje ao ler um texto que, apesar das pipocas, envelheceu. E só passaram nove anos desde este Agosto de 2003!
amordeperdição.pt
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
surpresa boa
Assistir praticamente ao nascer de um blog, 8 anos depois dos primeiros. Espero este reencontro com muita curiosidade.
Acompanhar os passos, os planos, a modernidade. Mais que isso, desta vez. É o tema! Arquivos eu gosto de paixão.
Vou voltar! Além
Acompanhar os passos, os planos, a modernidade. Mais que isso, desta vez. É o tema! Arquivos eu gosto de paixão.
Vou voltar! Além
domingo, 12 de fevereiro de 2012
inflação
Ao final da 1ª Guerra Mundial, combalida pela destruição material e humana que havia ocorrido no país, endividada até o pescoço em virtude das indenizações devidas aos países vencedores (que acarretaram pagamentos em dinheiro e a concessão de territórios, de acordo com os direcionamentos do Tratado de Versalhes) e com a auto-estima em baixa, à Alemanha da República de Weimar ainda teve que enfrentar uma feroz crise econômica interna, onde sobressaíam os índices de desemprego e inflação altíssimos.
Para se ter uma noção mais clara dos estragos causados pela inflação na economia alemã, vale lembrar que em 1921 eram necessários 64 marcos alemães para comprar um dólar. Passados apenas dois anos, em 1923, para se obter um dólar seriam necessários 4 quatrilhões e 200 trilhões de marcos!
Os efeitos na vida cotidiana foram desastrosos. A quantidade de desempregados aumentava a cada dia. As pessoas que tinham emprego ganhavam cada vez menos, pois o dinheiro perdia o valor a cada minuto (literalmente). Há depoimentos notáveis que nos colocam em sintonia com aquilo que viviam os alemães, como o de Agnes Smedley que em carta a Florence Lennon, em 21 de Dezembro de 1921 disse:
1923
1923 a hiperinflação na Alemanha
O governo francês justificou a ocupação militar do centro da indústria alemã de aço e carvão declarando que a Alemanha não havia cumprido com suas obrigações de pagar as reparações de guerra. O governo alemão — um regime de extrema direita liderado pelo industrialista Wilhelm Cuno e tolerado pelo Partido Social-Democrata — reagiu chamando resistência pacífica. Na prática, isso significou o boicote das forças de ocupação pelas as autoridades locais e as companhias do Ruhr. O governo continuou a pagar os salários da administração local e ofereceu subsídios aos barões do carvão e do aço para compensar suas perdas.
O resultado desses enormes gastos e da ausência de carvão e aço do Ruhr, produtos de extrema necessidade, foi o colapso completo da moeda alemã. O marco, já altamente inflado, era negociado a 21.000 por dólar no início do ano. Ao final do ano, quando a inflação alcançou seu ápice, a taxa de câmbio chegou a quase 6 trilhões de marcos por dólar — um número com 12 casas decimais!
Só para dar um exemplo: um ovo custava 300 marcos no dia 3 de fevereiro. Em 5 de agosto, custava 12.000 marcos e, três dias depois, 30.000 marcos. Mesmo sendo os salários ajustados com a inflação, o salário médio calculado em dólares caía 50% ao longo de 6 meses. Ao mesmo tempo, o número de desempregados inflava — de menos que 100.000 ao início do ano a 3,5 milhões de desempregados e 2,3 milhões de trabalhadores em empregos a curto-prazo ao final do ano.
Mas os trabalhadores não eram os únicos arruinados pela hiperinflação. Aqueles que viviam em pensões perderam todos os seus meios de subsistência. Aqueles que haviam economizado um pouco de dinheiro perdiam tudo da noite para o dia. Para sobreviver, muitos tinham que vender suas casas, jóias e tudo mais que houvessem guardado durante toda a vida, apenas para descobrirem, no dia seguinte, que o rendimento não valia mais nada.
Arthur Rosenberg, que escreveu a primeira história oficial da república de Weimar, em 1928, afirmou: "A expropriação sistemática das classes médias alemãs, não por um governo socialista, mas por um Estado burguês dedicado à defesa da propriedade privada, foi um dos maiores roubos da história mundial". [2]
Do outro lado do abismo social estava um grupo de especuladores, aproveitadores e industrialistas que fizeram enorme fortuna com a inflação. Qualquer um que obtivesse acesso a moedas estrangeiras ou a ouro poderia exportar mercadorias alemãs ao exterior e colher lucros enormes, devido aos baixos salários. Essas eram as forças por detrás do governo Cuno. O mais famoso deles foi Hugo Stinnes, que comprou 1.300 fábricas e fez bilhões nesse período. Stinnes também foi, nos bastidores, um grande articulador político.
O governo francês justificou a ocupação militar do centro da indústria alemã de aço e carvão declarando que a Alemanha não havia cumprido com suas obrigações de pagar as reparações de guerra. O governo alemão — um regime de extrema direita liderado pelo industrialista Wilhelm Cuno e tolerado pelo Partido Social-Democrata — reagiu chamando resistência pacífica. Na prática, isso significou o boicote das forças de ocupação pelas as autoridades locais e as companhias do Ruhr. O governo continuou a pagar os salários da administração local e ofereceu subsídios aos barões do carvão e do aço para compensar suas perdas.
O resultado desses enormes gastos e da ausência de carvão e aço do Ruhr, produtos de extrema necessidade, foi o colapso completo da moeda alemã. O marco, já altamente inflado, era negociado a 21.000 por dólar no início do ano. Ao final do ano, quando a inflação alcançou seu ápice, a taxa de câmbio chegou a quase 6 trilhões de marcos por dólar — um número com 12 casas decimais!
O impacto social e político da hiperinflação foi explosivo. A sociedade alemã foi polarizada de forma jamais vista. Para os trabalhadores, a inflação era uma ameaça à vida. Quando recebiam seus salários ao final da semana, estes mal cobriam o valor do papel sobre o qual as enormes somas eram impressas. As esposas aguardavam nos portões das fábricas para correrem ao mercado mais próximo e comprarem algo antes que o dinheiro perdesse seu valor no dia seguinte.
Só para dar um exemplo: um ovo custava 300 marcos no dia 3 de fevereiro. Em 5 de agosto, custava 12.000 marcos e, três dias depois, 30.000 marcos. Mesmo sendo os salários ajustados com a inflação, o salário médio calculado em dólares caía 50% ao longo de 6 meses. Ao mesmo tempo, o número de desempregados inflava — de menos que 100.000 ao início do ano a 3,5 milhões de desempregados e 2,3 milhões de trabalhadores em empregos a curto-prazo ao final do ano.
Mas os trabalhadores não eram os únicos arruinados pela hiperinflação. Aqueles que viviam em pensões perderam todos os seus meios de subsistência. Aqueles que haviam economizado um pouco de dinheiro perdiam tudo da noite para o dia. Para sobreviver, muitos tinham que vender suas casas, jóias e tudo mais que houvessem guardado durante toda a vida, apenas para descobrirem, no dia seguinte, que o rendimento não valia mais nada.
Arthur Rosenberg, que escreveu a primeira história oficial da república de Weimar, em 1928, afirmou: "A expropriação sistemática das classes médias alemãs, não por um governo socialista, mas por um Estado burguês dedicado à defesa da propriedade privada, foi um dos maiores roubos da história mundial". [2]
Do outro lado do abismo social estava um grupo de especuladores, aproveitadores e industrialistas que fizeram enorme fortuna com a inflação. Qualquer um que obtivesse acesso a moedas estrangeiras ou a ouro poderia exportar mercadorias alemãs ao exterior e colher lucros enormes, devido aos baixos salários. Essas eram as forças por detrás do governo Cuno. O mais famoso deles foi Hugo Stinnes, que comprou 1.300 fábricas e fez bilhões nesse período. Stinnes também foi, nos bastidores, um grande articulador político.
sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012
rastos do futuro
A história é de hoje. Insólita. Como estes tempos. Do Face conheço o grupo Troco 1 hora. É grupo aberto, qualquer um pode aderir.
Então trocam objectos inesperados. Não me puxou o interesse... até agora que encontrei quem trocasse roupa de bébé por comida para bébé.
Sinal dos tempos! Foi pela Joana que lá cheguei. Ela arranjou maneira de ajudar na troca, encontrou alguém que mora perto da mãe que tem filhos pequeninos e uma imaginação grande. Acho que é por aqui o caminho para o mundo novo. Não tem muito a ver com o Admirável Mundo Novo imaginado por Aldous Huxley. Ele não contava com a CRISE!
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