O governo francês justificou a ocupação militar do centro da indústria alemã de aço e carvão declarando que a Alemanha não havia cumprido com suas obrigações de pagar as reparações de guerra. O governo alemão — um regime de extrema direita liderado pelo industrialista Wilhelm Cuno e tolerado pelo Partido Social-Democrata — reagiu chamando resistência pacífica. Na prática, isso significou o boicote das forças de ocupação pelas as autoridades locais e as companhias do Ruhr. O governo continuou a pagar os salários da administração local e ofereceu subsídios aos barões do carvão e do aço para compensar suas perdas.
O resultado desses enormes gastos e da ausência de carvão e aço do Ruhr, produtos de extrema necessidade, foi o colapso completo da moeda alemã. O marco, já altamente inflado, era negociado a 21.000 por dólar no início do ano. Ao final do ano, quando a inflação alcançou seu ápice, a taxa de câmbio chegou a quase 6 trilhões de marcos por dólar — um número com 12 casas decimais!
O impacto social e político da hiperinflação foi explosivo. A sociedade alemã foi polarizada de forma jamais vista. Para os trabalhadores, a inflação era uma ameaça à vida. Quando recebiam seus salários ao final da semana, estes mal cobriam o valor do papel sobre o qual as enormes somas eram impressas. As esposas aguardavam nos portões das fábricas para correrem ao mercado mais próximo e comprarem algo antes que o dinheiro perdesse seu valor no dia seguinte.
Só para dar um exemplo: um ovo custava 300 marcos no dia 3 de fevereiro. Em 5 de agosto, custava 12.000 marcos e, três dias depois, 30.000 marcos. Mesmo sendo os salários ajustados com a inflação, o salário médio calculado em dólares caía 50% ao longo de 6 meses. Ao mesmo tempo, o número de desempregados inflava — de menos que 100.000 ao início do ano a 3,5 milhões de desempregados e 2,3 milhões de trabalhadores em empregos a curto-prazo ao final do ano.
Mas os trabalhadores não eram os únicos arruinados pela hiperinflação. Aqueles que viviam em pensões perderam todos os seus meios de subsistência. Aqueles que haviam economizado um pouco de dinheiro perdiam tudo da noite para o dia. Para sobreviver, muitos tinham que vender suas casas, jóias e tudo mais que houvessem guardado durante toda a vida, apenas para descobrirem, no dia seguinte, que o rendimento não valia mais nada.
Arthur Rosenberg, que escreveu a primeira história oficial da república de Weimar, em 1928, afirmou: "A expropriação sistemática das classes médias alemãs, não por um governo socialista, mas por um Estado burguês dedicado à defesa da propriedade privada, foi um dos maiores roubos da história mundial". [2]
Do outro lado do abismo social estava um grupo de especuladores, aproveitadores e industrialistas que fizeram enorme fortuna com a inflação. Qualquer um que obtivesse acesso a moedas estrangeiras ou a ouro poderia exportar mercadorias alemãs ao exterior e colher lucros enormes, devido aos baixos salários. Essas eram as forças por detrás do governo Cuno. O mais famoso deles foi Hugo Stinnes, que comprou 1.300 fábricas e fez bilhões nesse período. Stinnes também foi, nos bastidores, um grande articulador político.
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